23.2.08

Lanterna dos Afogados



Gal Costa & Herbert Viana

é já ali, junto ao Farol das Estrelas.

1.2.08

hoje eu tô sozinha



Hoje eu tô sozinha
E não aceito conselho
Vou pintar minhas unhas e meu cabelo de vermelho
Hoje eu tô sozinha
Não sei se me levo ou se me acompanho
Mas é que se eu perder, eu perco sozinha
Mas é que se eu ganhar
Aí é só eu que ganho

Hoje eu não vou falar mal nem bem de ninguém
Hoje eu não vou falar bem nem mal de ninguém

Logo agora que eu parei
Parei de te esperar
De enfeitar nosso barraco
De pendurar meus enfeites
De fazer o café fraco
Parei de pegar o carro correndo
De ligar só pra você
De entender sua família e te compreender
Hoje eu tô sozinha e tudo parece maior
Mas é melhor ficar sozinha que é pra não ficar pior

(Ana Carolina)

Judy Collins & Leonard Cohen



Suzanne takes you down to her place near the river
You can hear the boats go by
You can spend the night beside her
And you know that she's half crazy
But that's why you want to be there
And she feeds you tea and oranges
That come all the way from China

And just when you mean to tell her
That you have no love to give her
Then she gets you on her wavelength
And she lets the river answer
That you've always been her lover

And you want to travel with her
And you want to travel blind
And you know that she will trust you
For you've touched her perfect body with your mind.

And Jesus was a sailor
When he walked upon the water
And he spent a long time watching
From his lonely wooden tower
And when he knew for certain
Only drowning men could see him
He said "All men will be sailors then
Until the sea shall free them"

But he himself was broken
Long before the sky would open
Forsaken, almost human
He sank beneath your wisdom like a stone

And you want to travel with him
And you want to travel blind
And you think maybe you'll trust him
For he's touched your perfect body with his mind.

Now Suzanne takes your hand
And she leads you to the river
She is wearing rags and feathers
From Salvation Army counters

And the sun pours down like honey
On our lady of the harbour
And she shows you where to look
Among the garbage and the flowers

There are heroes in the seaweed
There are children in the morning
They are leaning out for love
And they will lean that way forever
While Suzanne holds the mirror

And you want to travel with her
And you want to travel blind
And you know that you can trust her
For she's touched your perfect body with her mind.

31.1.08

para todas as mulheres sós

24.1.08

OBJECTIVOS INDIVIDUAIS, por Teresa Martinho Marques



OBJECTIVOS INDIVIDUAIS

Agora que o ano começa,
E para que comece bem,
Vou fazer uma promessa
Ao meu pai e à minha mãe:
Cumprirei os cem por cento do meu serviço lectivo,
Os mui nobres objectivos do apoio educativo,
O serviço não lectivo, sempre de olho bem vivo,
Para ter pontuação máxima do conselho executivo.
Serei a melhor a melhorar, os resultados de alunos,
E nunca mais dormirei, se isso significar, provar por A+B
Que sou eu quem mais consegue abandonos evitar.
E ainda, coisa pouca, vou participar que nem louca,
Na vida do agrupamento, actividades e festas,
Projectos curriculares, extracurriculares,
Tudo o que me ordenem chefes e titulares,
Andarei em roda-viva, somando pontos à toa,
Não quero que nada me escape, que eu cá sou muito boa
E bem pouco dada a ais,
Quando defino e cumpro objectivos pessoais.
Serei moça empenhada,
Cheia de qualidade na minha participação,
E não haverá nenhum chefe
Que não repare em mim e em toda esta dedicação.
Já nos órgãos de gestão, estruturas de orientação,
Função de avaliador, de mestre coordenador, pontitos não posso ter...
Não quis ser titular e portanto por aí, não há nada a fazer
Mas livro-me, sim senhor, de ser bem investigada,
Com pormenor e rigor, pelo senhor inspector.
Promessas p’rá formação, não sei se as posso fazer,
Com o trabalho do mestrado não me sobra qualquer tempo,
Mesmo que durma pouco e ande sempre a correr...
Mas tentarei, ind’assim, ter máxima pontuação,
Na avaliação de projectos, dos de investigação,
Cheios de inovação da coisa educativa,
Que eu por mais que me sufoquem,
Esbracejo e venho à tona, tentando ser criativa.
Prometo relacionar-me, com toda a cordialidade,
Com todos e mais alguns, escola e comunidade,
Ter sempre o máximo dos pontos, sorrir a sérios e tontos,
Desenvolver contra a náusea, toda a minha imunidade.
E preparar, organizar, realizar as actividades lectivas,
Para que o chefe me dê, sempre sem hesitar,
Os quatro máximos pontos,
Seja qual for o parâmetro que esteja a considerar,
Cumprir objectivos, programas, tudo correcto sem falhas,
Disfarçando bem as gralhas,
Usar muitos materiais,
Ter em ordem dossiers e estimular tudo mais,
Mesmo agora sem ter tempo para as aulas preparar.
E para ele me pontuar, maximizando o número,
A relação pedagógica, nas aulas que for visitar,
E se convencer também que sou boa a avaliar,
Recorrerei ao açúcar, chocolates, rebuçados,
Gelados e mais recompensas, promessas e ameaças,
Feitiços e outras graças que eu não sou de brincadeiras,
Ou bem que os miúdos ajudam, p’ra ninguém me mal grelhar,
Ou bem que se fritam eles se não querem ajudar.
E na auto-avaliação direi o melhor de mim
Que se a gente não se amar,
Quem de nós irá gostar tanto, tanto, tanto assim?
No fim de tudo isto, se não garantir um excelente,
Porque não há lugar na cota e é inconveniente,
Morderei de novo a raiva, farei um sorriso contente
Será melhor prevenir, despeço-me por mais dois anos,
Na esperança do que há-de vir,
Que a coisa definhe e morra de enfarte e estupidez
E que eu sobreviva à dita,
Sem ter ferido o amor que aqui me trouxe e me fez
De alma e coração, acordada e alerta,
Contra todos os absurdos, sem me vergar com a dor
Defender com toda a força,
A coisa séria que é isto de ser professor.
Agora que o ano começa,
E para que comece bem,
Vou fazer uma promessa
Ao meu pai e à minha mãe:
Prometo ser forte e lutar para que o pesadelo descrito
Não me afogue a inteligência,
Não me contamine o corpo,
Não me deforme o sorriso,
Nem me impeça de sonhar...

Teresa Martinho Marques
in, Correio da Educação
N.º 320 | 07 de Janeiro de 2008

http://www.asa.pt/CE/

21.1.08

Música



Deslumbrante, mágico e venerável. Eis Stephan Micus.

13.1.08

faz hoje 9 anos que partiste...



(para o meu João Padrinho)

11.1.08

Terra Pura



Crónicas da Terra

Muito bom!

Panthera Felis



Chamarrita Pandeireta

(Feliz ano novo, Sr. José Medeiros!)

10.1.08

Tenho tantas saudades tuas...

JANUS


JANUS

7.1.08

hm?




Reparo agora como a amora tem um narizito "akoalado"....

cartas de lugar nenhum





Rebuscando algo sobre "cuidado com a gata" encontrei este blog brasileiro, que faz estremecer de sorriso. Sabe bem!

Também me surpreendi com a poesia. A poesia dos gatos. Acho que era Vinícius de Moraes quem dizia que um gato é poesia em movimento, não me lembro bem. Não interessa.

Aqui o castelo de Xavier começa a ser reconstruido, entre o ano novo português e o ano novo chinês. Ontem à noite ergui duas paredes e um muro e pintei de branco brilhante o umbral da porta dos arrumos (quase ex-wc, que ainda tem sanita e bidé; o lavatório dá jeito para as pinturezas...).
A placa de cerâmica que diz "xixis e cocós" será colada na porta da casa de banho de nosso uso, mas na parte de dentro, por baixo dos roupões. É que foi a minha Amiga que me a deu, emana a Sua bondade e amor incondicional de quem apenas não é unida pelo sangue que se mostra quando nos ferimos.
A cama será, provavelmente, repintada com lilases, rosas-chá, verdes secos e marfins dourados. Em triunfo descerá da escuridão do sótão para onde foi exilada já nem sei em que mudanças.

Como nós, uma casa, um quarto, reconstrói-se dia a dia. Sempre o mesmo espaço, idas e vindas de objectos, novas cores, novas roupagens, desta vez os móveis serão idealmente distribuidos, sempre desta vez, até que um dia se inicia a última obra, os últimos reparos, até que um dia já nada interessa e apenas a memória de um lugar que, na despedida já levemente saudosa, se tornou - pelas descontruções que a própria memória executa - a imagem do que somos por dentro e que continuaremos, até que se acabe a eternidade desta vida, a procurar realizar fora de nós.

Ainda não encontrei nenhuma placa pré-feita, gira, a avisar que a gata é a guardiã deste castelo, a sua rainha-guerreira.

3.1.08

para a Sunshine






Sábio é o que se contenta com o espectáculo do mundo,
E ao beber nem recorda
Que já bebeu na vida,

Para quem tudo é novo

E imarcescível sempre.

Coroem-no pâmpanos, ou heras, ou rosas volúteis,

Ele sabe que a vida

Passa por ele e tanto

Corta à flor como a ele

De Átropos a tesoura.

Mas ele sabe fazer que a cor do vinho esconda isto,
Que o seu sabor orgíaco
Apague o gosto às horas,

Como a uma voz chorando

O passar das bacantes.

E ele espera, contente quase e bebedor tranquilo,

E apenas desejando
Num desejo mal tido
Que a abominável onda

O não molhe tão cedo.

19/06/1914
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Ricardo Reis

2.1.08



"There is no difference between you and I. In fact you can say that there is no you and I. That means we are one in mind, body and spirit. Everything else is a trick to seperate us from one another. Mankind has forgotten that the spirit resides within us, not in words and books that can be mistranslated from there original spririt. Now that we have awakened we are not mistaken. We have come home to our original enlightenment that we are all Buddhas."

Namo Shakyamuni Buddha

11.11.07

Ilustrações



Completamente indispensável, este sítio com ilustradores.

6.11.07

Tan, Tan
¿Quién es?
El otoño otra vez.
¿Qué quiere el otoño?
El frescor de tu sien.
No te lo quiero dar.
Yo te lo quiero quitar.
Tan, tan
¿quién es?
El otoño otra vez.


F.García Lorca

30.10.07

Página 161, 5ª linha




O desafio exige o cumprimento dos seguintes cinco passos:
1. Pegue no livro mais próximo, com mais de 161 páginas – implica aleatoriedade, não tente escolher o livro;
2. Abra o livro na página 161;
3. Na referida página procurar a 5.ª frase completa;
4. Transcreva na íntegra para o seu blogue a frase encontrada;
5. Aumentar, de forma exponencial, a improdutividade, fazendo passar o desafio a mais 5 bloggers à escolha.


Que plantel de prisioneiros
Tendo as unhas arrancadas
Quantos beijos derradeiros
Quantos mortos nas estradas!




Vinícius de Moraes, Para Viver Um Grande Amor (poema "UM BEIJO")
Companhia das Letras, 1991


Eis a resposta ao desafio da Ana.

Passo a batata quente ao Greg, ao Jacaré, ao Ricardo Kelmer e ao duo Manuel e Maria.

27.10.07

OUTONO


Estamos próximos do Samhein, ou Halloween, ou Dia de Todos os Santos. O Outono só se mostra entre o pôr e o nascer do sol, durante o dia o sol ainda faz calor, os vasos ainda florescem (tenho malvas lindíssimas na varanda!), os tomateiros finalmente frutificaram (dois tomates: um nascido numa jarra, com girassois já secos, a rama dos tomateiros que fizeram greve todo o verão a enfeitar - até que uma criou raizes....; outro, no vasinho de areia e erva para a gata da varanda do quarto, que ela não usa - foi transplantado meio morto e renasceu, o tomate é grande, rijinho e está a começar a avermelhar).

Estive muito tempo ausente; agora, que os dias encurtam (é hoje a mudança da hora), é tempo de recolhimento, de me despir de folhas douradas, carmim, castanhas, amarelas, laranja - é preciso que as folhas caiam para novas nascerem na Primavera. Preparar o Inverno, é este o tempo, e ainda que o Outono esteja suave e seco, a Natureza segue seu curso, e eu com ela. Desconfio que as estações mudaram seu tempo; o Outono começa agora em Outubro, na última lua cheia; depois vem o solstício de Inverno, mas o Inverno só começa em Janeiro, as estrelas e a lua brilhando no gelo, resplandecendo no ar frio. Depois, A Primavera. Em Abril, claro. Sob o signo de Touro, faz muito mais sentido, assim como o Outono faz sentido começando em Escorpião. O Inverno rege-se por Capricórnio, o deus Pan, as celebrações dos faunos e dos sátiros, antecedidos pelos centauros e sagitários. Outono e Inverno, meses da Fauna, Primavera e Verão, meses da Flora. Yang e Yin, masculino e feminino equlibrando-se. O Inverno é do Fogo (o Sol da Meia Noite, o sol espiritual), a Primavera da Terra, o Verão da Água, o Outono do Ar. Tudo em perfeito equilíbrio.

Claro que isto são teorias minhas, mas tenho feito perguntas por aí e há quem tenha ficado a pensar nisto; nem tudo está perdido.

Como celebração da entrada no Outono, decidi livrar-me da dependência do tabaco. Não sei se conseguirei deixar de fumar de todo, mas tudo farei para fumar segundo a minha vontade, e apagando o fogo do desejo com água. Isso mesmo. Sempre que o desejo de um cigarro vier, bebo umas goladas de água. Esta substituição faz todo o sentido, porque vivo desidratada, não chego a beber meio litro de água por dia. Então a pele fica seca, sensível, as veias perdem ainda mais elasticidade (não bastava o estrogénio que faz de mim mais mulher do que homem...), ainda na quinta feira, noite de luar, tive um derrame na barriga da perna só por ter a gatinha deitada no meu colo. Beberei mais água, limparei o meu corpo dos venenos, hidratarei a minha primeira pele, serei completamente água: de charco de lama passarei à água azul escura dos abismos oceânicos. Escrevo isto aqui também para ter vergonha na cara, me comprometer perante quem me ler e isso ajudará a comprometer-me perante mim mesma, a combater a autocondescendência, a ter consciência das desculpas que usarei para retomar o hábito. Não posso ser completamente livre enquanto não acabar com as dependências que eu própria criei; e. como criadora, tenho o direito e o dever de acabar com isso, usando a táctica divina. Como o Deus da mitologia Judaico Cristã, como os Deuses de todas as outras mitologias religiosas: em todas existe uma história de Dilúvio. Constroi-se uma arca, sobe-se a uma palmeira, vive-se como se pode até as águas descerem. É uma oportunidade para começar tudo de novo.

Seguirei, portanto, o ritmo das estações, anunciado pelas árvores. Sei que não é fácil: o nosso sistema económico não contempla os ritmos naturais. Mas aqui, no Castelo de Xavier, existem Reinos, Condados, Ducados, Feudos, universos paralelos, oblíquos e perpendiculares ... Macrocosmos dentro de microcosmos, como uma espiral que desenha uma ampulheta.

Feliz Outono!

1.5.07

um dia new age

Finalmente desperto, espreguiço-me, salto da toca, os dias passam mais devagar e o tempo sobra para o lazer, as baterias foram já carregadas (presenteadas) com magníficos dias de sol e calor.
Hoje, 1º de Maio, o céu apresenta-se mal-humorado. Não me lembro de jamais ter vivido um primeiro de Maio sem sol, embora seja provável ter acontecido, não nos podemos fiar na memória, é como um espelho de feira. Mas hoje realmente chove intermitentemente, as duas dúzias de comunistas que neste feudo habitam tiveram de levar guarda chuvas para o piquenique, para a manifestação e, sinceramente, não me lembro de ter ouvido foguetes na ALVORADA (era assim que estava escrito no panfleto) das 11h horas e trinta minutos da manhã. Vê-se bem que andaram em celebrações até tarde, além de comunistas são pagãos e andaram a acender fogueiras para o cavaleiro e a Dama, nesta noite de Walpurgis (nunca se sabe!) ...

Entusiasmada que ando com as conversas que tenho mantido com a Velha Louca que Vive no Fundo dos Bosques (o link está ali mesmo ao lado ---->), lancei-me a este wwo (world wide ocean) e encontrei, por acaso, este blog no qual vale a pena atentar: http://entramula.blogspot.com/.

Tenho frio, vou vestir um casaco, fechar as janelas, ligar o aquecedor, jantar.

Happy Beltane para todos!

Em tempo - visitem também esta ilha: http://sharkassimetrico.blogspot.com/.